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Regulamentação da Profissão de Analista de Sistemas e suas Correlatas

Categoria : Carreira

Muito se tem falado sobre a Regulamentação da Profissão de Analista de Sistemas e suas Correlatas, a discussão é grande, e existe muita gente a favor, muita gente contra e algumas em cima do muro.

O que eu vejo é que muito se fala sem ao menos saber do que se trata. Pouca gente percebeu, mas quem leu a lei na íntegra sabe, para ministrar aulas, ou escrever em blogs (Eu sei que é muito, mas podemos interpretar a lei assim) sobre qualquer coisa que seja de domínio de um “Analista de Sistemas” só poderá ser feita por um Analista de Sistemas.

Não somente isso, mas pesquisas e experimentação só poderão ser feitas por Analistas de Sistemas. Ministrar aulas só poderá ser feita por Analistas de Sistemas.

A lei não da direitos as pessoas que são formadas, por exemplo, em Administração, mas com mestrado em Engenharia de Software a ministrar aulas de Engenharia de Software, pois isso só cabe aos formados em Ciências da computação, processamento de dados ou analistas de sistemas.

No twitter, alguns falaram que a maioria é Pessoa Jurídica e como empresa tanto faz a lei. Isso é um engano, a lei é clara, punirá quem estiver trabalhando como Analista de Sistemas e não for registrado no conselho regional de informática (CREI) ou quem facilitará a quem não é registrado e comprovado Analista de Sistemas a exercer a profissão.

Ninguém ainda sabe como ficará profissionais que trabalham em casa para empresas que ficam em outros estados (Como eu já trabalhei no ano passado). “Eu vou ter que me registrar no CREI aqui no Piauí, em São Paulo ou nos dois?! Por quê a sede da empresa é em São Paulo e eu trabalho em casa!”.

E como ficará o trabalho internacional!? Existem pessoas que fazem outsourcing para empresas na America do Norte, Europa e outros lugares do Mundo, como ficarão essas pessoas!?

Ninguém está preocupado com o impacto imediato que esta lei tem, e o pior, ninguém está se preocupando com o impacto dessa lei a daqui 10 anos. Onde o Brasil será mais uma vez uma nação que consumirá apenas a sucata que é criada lá fora, por que essa lei limitará em todos os aspectos o desenvolvimento tecnologico do nosso país.

Mais uma vez o Brasil está nadando contra a maré querendo “inventar” um impedimento do desenvolvimento de conhecimento. Mais uma vez o Brasil afundará com uma medida que não tem lógica. Mais uma vez nosso país está fazendo o contrário do que pensamos e queremos!

Comentários (5)

Cairo,

Mas por exemplo, se eu não exerço a função de analistas de sistemas dentro da empresa que eu trabalho, eu não preciso ser registrado certo? Se a resposta for não, não faz diferença se eu trabalho dentro da empresa ou de casa.

Uma coisa que não tá clara pra mim: Todas as pessoas que desenvolvem software precisam ser registradas?

Eu sou contra essa lei, concordo que ela é um atraso na evolução da área no país, mas pelo que percebi, isso não me afetaria. Se eu estiver errado, me corrija por favor.

Abraço

Rafael, a lei não diz claramente o que faz um Analista de Sistemas, mas ela é clara em dizer que apenas aquele que tem o diploma e é registrada no conselho é o único que pode aprovar, assinar projetos e desenvolver softwares.

Por isso muita gente está reclamando, por que médicos que desenvolvem softwares de robôs para fazer cirurgias a distância não poderão mais fazer. Assim como um designer que pega o wordpress e altera o tema, assim como um administrador de uma empresa que desenvolve um banco de dados no MySQL para armazenar as informações da empresa.

Rafael, eu nem li a lei, mas pelo que eu já li de opiniões dos outros, isso afeta apenas a profissão (ou “competência”, poderia-se dizer) do Analista de Sistemas. Se você é programador, desenvolvedor, webdesigner. qualquer outra coisa realmente isso não lhe afeta. Mas perceba que muito programador faz também papel de Analista, o que não vai poder segundo a nova lei.

Trazendo pra prática, você não vai poder iniciar um projeto do zero, porque um Analista tem que especificar as coisas antes. Se você quiser fazer também esse papel você tem que estar registrado no CREI. Na verdade, você não pode programar nada que um Analista não tenha especificado, modelado, e todos aqueles “ados” que a gente já sabe. Então, a não ser que queira passar toda sua vida programando o que lhe entregam em UML, isso lhe afeta sim!

Eu tenho uma visão um pouco diferente. Gostei do seu post e segue a minha contribuição:
De fato, é uma questão complexa… Depois de pouco mais de uma década na indústria de TI, eu vejo que não existe tanta competência como andam defendendo os profissionais que são contra a lei. A nossa indústria é a que mais sai dos trilhos na questão financeira, e é sempre mal planejada. Advinha qual é o setor que gera mais insatisfação dentre os setores internos das corporações?

Diploma, certificação, experiência, competência… muita coisa…
Bom, o que é mais inteligente, ganhar experiência com tempo ou ganhar experiência indireta, desenvolvendo a intelectualidade?

Não tenho nada contra profissionais certificados ou tecnólogos. São especialistas sérios e lucrativos. No cenário que vivemos a situação deles é muito delicada. São mais descartáveis pois se tornam obsoletos muito rápido, como um ipod. Basta que o mercado mude ou basta que a versão do software em especialidade se eleve.

Conheço muitos profissionais certificados com razoáveis anos de mercado que produzem de forma muito ruim. Muito por desconhecer ou desprezar conceitos computacionais.

Acho que um profissional, que fora um bom aluno de ciência da computação, por exemplo, pode ser um excelente profissional que transcenderia as limitações de falta de intelectualidade e dependência de fornecedores tecnológicos.

Não quero dizer que quem não faz faculdade não é uma pessoa criativa ou intelectual, mas aqueles que atravessam um curso de bacharel tem mais chances de se desenvolver do que aqueles que precisam de muitos anos para se dizerem “competentes”. Isso não é uma regra, depende da função exercida.

Eu tenho vivido isso de forma muito positiva e quando participo de contratações, sempre coloco isso na mesa.

Do ponto de vista governamental, é excelente formar cientistas e intelectuais. Melhora nossa condição tecnológica e diminui nossa dependência – contrariando o que você disse. Por esse ponto de vista, eu discordo do seu paragrafo:
“Mais uma vez o Brasil está nadando contra a maré querendo “inventar” um impedimento do desenvolvimento de conhecimento. Mais uma vez o Brasil afundará com uma medida que não tem lógica. Mais uma vez nosso país está fazendo o contrário do que pensamos e queremos”
De repente se você elaborasse o argumento, eu poderia entender melhor o que você quer dizer. Acho que um pouco da ansiedade sobre o que vai sair daqui a 10 anos, pode ser resolvida conhecendo a lei e questionando os responsáveis diretamente.

Cairo, é lógico que a universidade também forma muita gente ruim. Especialmente porque, quanto mais novos, mais imediatistas nossos somos. Pensamos menos em estratégias, queremos o ”logo”… é natural. Por isso que nas universidades tem um turbilhão de gente que são seduzidas pela rápida imersão no mercado de trabalho e acabam desprezando os conceitos que vão solidificá-las e tranquilizá-las no dia-dia e no futuro. Afinal, não é a toa que os filhos das classes mais altas das sociedades pelo mundo, não só no Brasil, gastam mais tempo se desenvolvendo intelectualmente do que operando, propriamente.

Fica meu abraço! E meu contato!

Eduardo Xavier, o problema todo é que outros profissionais não mais poderão desenvolver softwares.

Todos os projetos que envolvem nanorobores que estão sendo desenvolvidos no Brasil e que não possuem um Analista de Sistemas não poderão mais existir. Além disso, apenas os Analistas de Sistemas é que poderão continuar aquele projeto, serão eles que deverão aprovar o projeto, assinar e executar.

Todos os softwares de análise de imagens para detecção de cancêr que não tiverem Analistas de Sistemas terão que ser cancelados.

Todos os projetos opensources que o governo usa/apoia deverão deixar de ser usados ou não mais pode ter o apoio. Por quê com certeza, alguma parte do código foi feita por pessoas que não possuem registro no CREI.

Windows, OSX, Linux não poderão mais ser distribuídos no Brasil a não ser que eles sejam representados por um Analista de Sistemas brasileiro, e esses softwares devem ser registrados no CREI.

Enfim, existe um mundo de coisas que essa lei vai impactar sem sentido. E eu nem quero entrar no mérito de curso/qualidade.

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